Eu sei que o Reveillon já passou, carnaval já passou, e que o ano já está ai bombando, já faz um tempo, ou melhor, quase 3 meses. Mas, esse post estava incubado desde o fim do ano passado e finalmente será colocado no ar. Bom, o título é bem auto explicativo (Aliás, outra coisa que me incomoda em blogs é a tentação, quase obrigação de se por o título ao post antes de se escrever o post, mas isso é assunto para ser divagado em outra oportunidade – já estão se acumulando). Vamos aos livros. No começo, queria estabelecer uma ordem hierarquica de preferência, contudo certas dúvidas a respeito de algumas posições me levou a colocar tudo de um mesmo saco. Ainda que, para alguns obras isso represente certo demérito, outras merecem um pouco de mérito. Lá vai:
“Quase memória, quase romance” - Carlos Heitor Cony

Após receber um pacote intrigante, o narrador começa a desvendar lembranças do pai morto há anos. Como o título bem diz, o livro é uma mistura emocional intensa entre memórias reais do autor – o autor é o narrador-personagem – e ficção. Bem como costuma acontecer na maioria dos relatos sobre acontecimentos passados, sobre nossas memórias. É exatamente aí que o autor acerta. A história de sua vida com pai, torna-se tão cativante a ponto de fazer o leitor não querer sair daquele universo. Dificilmente, você irá querer “saber como acaba”. Disse e repito, a experiência emocional é tão incrível, que você provavelmente vai querer que não acabe.
“Excreções, secreções e desatinos” – Rubem Fonseca

Rubem Fonseca é meu autor preferido. Indiscutível. Mas esse livro de contos despontou na minha seleção de preferidos. Reparem no título. Os contos são sobre exatamente isso, excreções, secreções e desatinos. Mentira, os contos não são sobre isso, eles possuem essa temática: vômito, arroto, xixi, doenças de pele nojentas, sangue, menstruação e coco. Mas, de novo, os contos não são sobre isso, são sobre uma coisa mais, coisas mais, que nunca são explanadas claramente, ou são. A conotação tão singela, tão sutil e tão deliciosa! Digo, repugnante. Já que o asco é uma das sensações que predomina no livro. Pura delicia de asco.
“Leite derramado” – Chico Buarque

Um velho no fim da vida, no leito de um hospital, conta pra quem quiser ouvir a história de sua tradicional família. Num monólogo dirigido para vários interlocutores (às vezes bem definidos, outros obscuros), conhecemos a história de uma familia decadente, antes rica e com representatividade política, hoje reduzida a um senhor internado em um hospital público e uma neta repleta de tatuagens e piercings. Como é de se esperar, o monólogo é repleto de digressões, indas e vindas, mudanças repentinas de assunto, assuntos esquecidos ou deixados de lado, histórias inacreditáveis ou bem críveis. Sem querer soar pedante, Chico domina a narração com maestria, cria uma narrativa densa e com perfeita adequação ao personagem narrador.
“Agosto” – Rubem Fonseca
Rubem Fonseca é meu autor preferido. Indiscutível. Dja vú? Oh yeah! Dja vú! Entre um intervalo de um livro dele e outro livro dele, sempre me ocorre um período de maior sede, como o alcoolatra entre um porre e outro. E que porre! “Agosto” é um porre daqueles! A trama cativante, as surpresas bem definidas e sem serem caricaturais, os personagens esféricos ao quadrado. Deve ter sido meu livro preferido de 2009, talvez. Basicamente, é narrado a História dos eventos que levaram ao suicidio de Vargas e a história de uma investigação policial que ocorre paralela, com uns ocasionais esbarrões entre uma trama e outra. Olha, são esbarrões certeiros. O livro tem tantas complexidades, tantas tramas excelentes, que logo se percebe seu potencial para uma adaptação em minisérie. Pois é, e já foi né? Outro destaque merecido, o Comissário Mattos é meu vizinho, mora na mesma rua que eu. Que máximo!
“Eu sou o mensageiro” – Markus Zusak
Pois é, essa é polêmica da lista. Um livro traduzido, mais pop, “menos literário”, que poderia “baixar o nível” dos outros autores aqui citados. Não acredito nisso. Cony, Fonseca e Chico já são reconhecidos, ninguém duvida da qualidade literária de seus textos. Mas desse tipo de literatura, do Zusak, não faltam questionamentos. Nesse ponto, chegamos ao “outras merecem um pouco de mérito” lá do início – desculpem pelo plural usado para aumentar a expectativa do leitor e causar um questionamento e inquetação durante a leitura etc. E daí que eu acho que como qualquer outra obra artística, existem aspectos técnicos a serem considerados para classificar a qualidade de uma obra, e existem pessoas mais habilitadas que estudam a vida toda para isso, e por isso elas escrevem em jornais, revistas, sites especializados e eu não. Por esse motivo, acho que posso incluir um da minha lista de “mais gostei” na lista de “melhores”. Safo, a diferença? Pra ler mais sobre esse só CLICAR



5º – “Ilha da Sedução” – Lançado em 2002 pelo SBT, apresentado pela (futura)ex-fazenda Babi, era a versão brasileira de “Temptation Island”. Quatro casais, com relacionamentos de longa data, eram separados em dois hotéis distantes em uma ilha da República Dominicana, convivendo com 13 solteiros do sexo oposto. A fórmula do programa é excelente, sua premissa excepcional. Mas a versão brasileira cometeu um grande erro: tentou transformar um programa naturalmente polêmico em “comportado”. Enquanto as versões americanas traziam explicitamente as traições, com câmeras em todos os cantos, mostravam barracos entre as próprias solteiras e conversinhas meio sacanas entre os solteiros; a versão brasileira ficou na pura insinuação. Enfim, um casal saiu no meio pra se casar; uma compromissada trocou o namorado pelo solteiro; e um compromissado a noiva, por uma solteira. Sem contar a dramaticidade teatralmente forçada da apresentadora. O programa teve uma temporada só, foi exibido em outros países da América Latina e contou com mega produção da FOX. Tinha tudo pra dar certo. Não deu. Rumores contam que a Record está interessada em uma nova versão do programa, é esperar pra ver.
4º – “Simple Life” – Se Paris Hilton e Nicole Richie divertiram e agradaram de 2003 a 2007 na versão americana, Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro deram sono. Em 2007, a Record trouxe as duas na versão nacional, com subtítulo de “Mudando de Vida”. As duas não tinham um terço da falta de noção das patricinhas americanas. Tiveram que apelar. Tudo era muito forçado e pouco crível. As bolas foras, as bocas sujas e o egocentrismo de Nicole e Paris que a dupla brasileira tentava copiar ficaram só na mais pura e vergonhosa tentativa. Não há previsão de novas temporadas.
3º – “FAMA” – A primeira versão lançada em 2002, comandada por Toni Garrido e Angélica tinha edições diárias de 10 minutos após Malhação; e o grande programa semanal aos sábados após ao Huck. As quatro edições lançaram para fama, em ordem: Vanessa Jackson, Marcus Vinícius, Tiago Silva e Fábio Souza. Espera lá, quem? Pois é, é meio difícil de entender porque um programa de talentos feito pela Globo não consegue realmente que seus vencedores tenham o premio que queriam, a “fama”. Em parte, um grande equívoco das 4 temporadas foi considerar mais e dar mais importância a opinião dos jurados e professores da “Academia da Fama” do que ao público. Na fase final, eles tiveram o poder de eliminar candidatos, mesmo que a contragosto dos fãs, que votaram por semanas para os manter no programa. Não é á toa que outros concorrentes, que não venceram, fizeram mais sucesso que os próprios ganhadores. Como Roberta Sá, Marina Elali e Cídia e Dan. As duas ultimas versões foram gravadas na casa do BBB, as duas primeiras em uma mansão construída no Rio Water Planet. Toni Garrido deixou de apresentar a atração na segunda edição, Boninho assumiu a direção na terceira.
2º – “Country Star” – Primeira coisa, que fica registrado que esse programa não está aqui devido a sua temática country. Ok, então, vamos as considerações. Com um formato muito parecido ao de “Ídolos”, tinha a proposta de encontrar uma Shania Twain brasileira. Lançado em 2007 como quadro do “Terra Nativa”, foi apresentado por Guilherme e Santiago e os jurados eram Rick Bonadio, Bozzo Barretti e Zilu Camargo. Os apresentadores eram muito fracos, os jurados não convenceram e as músicas eram mais românticas do que de fato country. O quadro teve um ritmo lento demais, as participantes eram pouco interessantes e apesar da boa produção, ficou só na tentaiva. A audiência agradou a Band, entre 5 e 6 pontos, que colocou a versão masculina no ar em abril desse ano. Medalha de prata.
1º – “Apartamento das Modelos” – O ano é 2002, o auge dos reality shows na TV. A RedeTV! descola um orçamento de 30 mil reais pra produzir um para chamar de seu, estava montado o cenário para um dos programas mais obscuros e bizarros da história. Oito modelos enclausuradas em um apartamento minúsculo, que teriam a rotina acompanhada por uma – isso mesmo, uma – câmera por 30 dias. Sem prêmios, sem competição, sem nada. Foi apresentado por um tempo por Nelson Rubens – de novo, isso mesmo, Nelson Rubens – por um período, depois passou a ser um quadro do “A Casa é Sua”. O roteiro, a direção, o cinegrafista e a criação eram tudo de um cara só. Claro, pra tentar animar o nada que acontecia, levavam algumas ‘atrações’ para as modelos. Como um stripper e o famosíssimo apresentador Sabbá. Ele tinha acabado de ser chifrado em rede nacional pela ex-esposa, Syang, na “Casa dos Artistas”; chegou no apartamento querendo pegar geral, ninguém quis pegar ele. Outra participação muitíssimo especial foi a visita da “morte”, que propôs uma brincadeira qualquer pras modelos, a que ganhasse, poderia pedir o que quiser. A menina que ganhou, escolheu ir pro meio da rua, ficou lá sentada no meio do asfalto. Tudo era visivelmente armado, mas, ao menos, eles tentavam dar uma disfarçada. Não deu. Sem dúvida nenhuma, medalha de ouro. Merecido.
Hors-concours – “Casa dos Desesperados” – Esse não pode entrar no ranking, seria injusto. Um marco na televisão brasileira, um primor! Surgiu também na onda dos realities em 2002, como quadro da “Festa do Malandro”, apresentado, é claro, por Sérgio Malandro. Em um apartamento minúsculo ‘equipado’ com uma piscina de plástico, um gay afetado, um travesti, um obeso comilão, uma garota de programa (que dá seu telefone de contato no ar), um anão, um valentão (o ‘bad boy’), um gago, uma fofoqueira, um sósia de Tim Maia, um japonês e uma loira sensual disputavam o prêmio de R$ 1.000 e uma cesta básica. Além de concorrer ao prêmio final, cada candidato recebeu R$ 60 por dia de participação. As situações eram tão surreais, tão inacreditáveis que ficava claro que tudo era a mais pura encenação e, provavelmente, dirigida pelo próprio Sergio Malandro. A questão é uma só, se fosse assumidamente um quadro de humor, seria aceitável, mas bater na tecla de reality, só fez passar vergonha. Mas, falando a verdade, era pura diversão trash barata. Inclino-me a retirar dessa lista. Merece vídeo:
11º – “A Guerra do Sono” – Lançado como quadro do “Caldeirão do Huck” em 2003, 40 participantes disputavam um prêmio de R$ 40.000,00. Basicamente, “os guerreiros do bem” – como eram bregamente chamados pelo Luciano Huck – ficavam 48 horas initerruptas acordados. Nesse meio tempo, realizam provas em uma cidade cenográfica, “A cidade do sono”, para serem eliminados. As provas eram até divertidas, e só. Luciano Huck pode até ser um bom apresentador, mas o programa ficou arrastado e muitos episódios eram do tipo “nada acontece” – ficamos assistindo um bando de gente conversando, brincando, virando a noite, com sono e só. De novo. Deu sono. Teve só uma temporada.
10º – “Ídolos” RECORD – Como funciona todo mundo sabe e conhece bem. A versão brasileira de “Pop Idol” feita em 2008 pela emissora do bispo, não agradou. A primeira versão, feita em 2006, pelo SBT, não lançou nenhum grande “ídolo”. Contudo, a expectativa dos fãs brasileiros das versões estrangeiras, além de outros fatores, é claro, contribui bastante pra ele ser bem sucedido. A versão da Record foi bem produzida, mas os jurados não eram nem um pouco carismáticos, Rodrigo Faro foi uma bola fora como apresentador, a edição da fase das audições era confusa e forçada e os próprios participantes não causaram sensação. A segunda temporada está em fase de produção.
9º – “Hipertensão” – Lançado em 2002, apresentado por Zeca Camargo, trazia 6 anonimos, semanalmente na disputa por R$ 50.000,00. O programa causou sensação no começo devido a suas provas bem extremas. Uma delas, incluia entrar em uma cova e levar uma chuvarada de baratas e minhocas. Rendeu até processos pra Globo, acusando-a de humilhação. Com o tempo, foi perdendo a graça, a sensação era sempre de “já vi isso antes” e o público perdeu o interesse em ver banquetes com coqueteis de insetos vivos . O formato se desgastou rápido e ficou no ar só 5 semanas. Acabou com uma edição especial com a participação de atriz Carolina Dieckmann, da jogadora de basquete Janete, da ex-integrante do Big brother Brasil 2 Xaiane, do apresentador Luciano Huck, do ator Marcos Pasquim e do jogador de vôlei Tande. Tande levou a melhor; uma das provas do especial consistia em separar com as mãos o maior número possível de cobras de barriga branca, deitado em um compartimento com 10 mil minhocas nas pernas e 5 mil baratas na cabeça. Bizarrice demais.
8° – “Amor a Bordo” – Também como quadro do “Caldeirão” foi lançado em 2002, versão do holandês “Love Boat”. Nada mais que 7 homens e 7 mulheres solteiros, formavam casais logo de cara, e deveriam mostrar em provas que conheciam bem um ao outro. Forçar a formação de casais, sem dar a oportunidade dos participantes se conhecerem foi um erro, e, pior, estimular ainda a “fidelidade” entre eles pra eles ganharem no final apenas uma viagem de cruzeiro, nada bom. Aconteciam pouquíssimas coisas interessantes, e as tentativas desesperadas da produção em causar alguma ação eram meio vergonhosas. Teve gente que gostou, foram exibidas, no total, três versões. A primeira versão teve que ser reeditada várias vezes, quase foi boicotada pelo padrão Globo de qualidade.
7º – “20 e Poucos Anos” – Produzido e exibido, a primeira versão, no ano de 2000 pela a MTV, tinha uma premissa simples: 7 estranhos que se encontravam semanalmente em uma casa. Isso mesmo, semanalmente. O programa simplesmente acompanhava a rotina diária dos sete, faculdade, trabalho e os encontros nos finais de semana na tal casa. Com o passar do tempo, eles passaram a marcar encontros durante a semana, mas não adiantou pra acabar com a morosidade do programa. Foram exibidas quatro fases.
6º - “Sufoco” – A primeira experiência BigBrotheriana na TV Brasileira. Lançada em 2000, como quadro do “Domingão do Faustão”, com direção do Boninho, trazia seis pessoas entre 21 e 40 anos passavam quatro dias numa casa de vidro, construída no parque Villa-Lobos, em São Paulo, onde eram realizadas provas físicas e intelectuais. A questão é: o que de interessante pode acontecer em 4 dias com 6 pessoas? Praticamente nada. E foi isso que aconteceu. Nem a edição que tentava criar alguma emoção, atingiu seu objetivo. O quadro teve 3 versões.

