
Então, fazia algum tempo que não lia livros assim, na falta de uma denominação melhor, um pouco mais POPs. Nada de estereótipo negativo (anotar, reflexão posterior: estereótipos podem ser positivos?). Foi quando eu comprei “Eu sou o mensageiro” (Editora Intrínseca – 2007), “The Messenger” no original, do mesmo autor de “A menina que roubava livros”, Markus Zusak. (Antes de tudo, fica o aviso, não garanto a pureza desse texto quanto a spoilers. Claro que não vou contar o final do livro, mas pra quem não gosta de ler nem contra capa, pararia por aqui.) De fato, comprei só por causa do autor, há 1 ano e pouco atrás, a historia de Liesel Meminger me emocionou divertiu bastante. Então resolvi dar uma chance pra Ed Kennedy, o protagonista de “Eu sou o mensageiro”.
Da mesma forma que em “A menina”, a história é narrada em primeira pessoa pelo tal Ed. O cara é um perdedor completo, dono de um cachorro preguiçoso e fedorento, morador do suburbio, um zero à esquerda na cama, com sérios problemas amorosos e familiares. Como ele mesmo se refere com 19 anos e ainda não fez “porra nenhuma” na vida.
Ed é um motorista de Taxi que um dia intervem em um assalto a banco. A partir daí que a história se desenvolve. Queria, mas não vou entrar mais em muitos detalhes a respeito da história, cada surpresa, até as mais bobinhas, merecem ser mantidas.
A narrativa se desenvolve de forma que em alguns momentos se torna mais reflexiva, em outros mais dinamica. Mas um ponto bem caracteristico de “A menina” se mantém aqui (e acredito que deve se afirmar como marca de estilo do autor), a personificação dos sentimentos. Sempre tem uma alegria chutando, uma tristeza sentada em algum lugar, ou uma angústia escondida em baixo da cama ou dentro de uma gaveta.
A linguagem transduz quase completamente o personagem, sem pudor, repleta de palavrões e gírias – devido a um ponto da personalidade dele, que não quero explanar aqui, às vezes pode soar um pouco exagerado. Mas logo no inicio se tem uma impressão que o tradutor é um senhor de 50 anos, que tenta adaptar o palavreado para um português que ele acha que se fala em algum lugar. Não se fala. Com o tempo, essa impressão vai se desolvendo, creio que mais por mérito do autor. Não sei se é propositalmente ou coisa que acontece com autor quando passa a se preocupar com pontos mais importantes da narrativa do que a encher de palavrão. De qualquer forma, é fato que conforme o personagem vai amenizando toda aquela rigidez em volta dele, a forma dele se expressar vai se tornando mais leve também.
A cada personagem novo apresentado, a cada ação do nosso herói (no melhor estilo anti-herói), abre-se espaço para uma reflexão. Diferentes cada uma em sua forma, em seu momento. Se mais aprofundada ou mais superficial, o narrador deixa isso por conta do leitor.
Enfim, antes que esse post fique pé-no-saco demais vou resumir : vale a pena ler “Eu sou o mensageiro”. Seja por pura diversão, ou por alguma catarse de identificação. Fácil, fácil isso ocorre. Não precisa ter 19 anos e ser um fracassado completo. Basta ter tentado uma vez, basta ter tido alguma vez aquela pontadinha de “eu quero mudar o mundo”, basta um dia não ter conseguido (fracasso é algo que soa ‘drama queen’ demais) ser um pouquinho herói.
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março 19, 2010 às 12:28 am |
[...] Pois é, essa é polêmica da lista. Um livro traduzido, mais pop, “menos literário”, que poderia “baixar o nível” dos outros autores aqui citados. Não acredito nisso. Cony, Fonseca e Chico já são reconhecidos, ninguém duvida da qualidade literária de seus textos. Mas desse tipo de literatura, do Zusak, não faltam questionamentos. Nesse ponto, chegamos ao “outras merecem um pouco de mérito” lá do início – desculpem pelo plural usado para aumentar a expectativa do leitor e causar um questionamento e inquetação durante a leitura etc. E daí que eu acho que como qualquer outra obra artística, existem aspectos técnicos a serem considerados para classificar a qualidade de uma obra, e existem pessoas mais habilitadas que estudam a vida toda para isso, e por isso elas escrevem em jornais, revistas, sites especializados e eu não. Por esse motivo, acho que posso incluir um da minha lista de “mais gostei” na lista de “melhores”. Safo, a diferença? Pra ler mais sobre esse só CLICAR [...]